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SHOW FAGNER E ZECA BALEIRO - 4 DE ABRIL DE 2002
CENTRO DRAGÃO DO MAR - FORTALEZA - CEARÁ
           
                                     

                                                                     por Evangê Costa

    Inusitado. É a única palavra que podemos utilizar para descrever o encontro dos músicos Raimundo Fagner e Zeca Baleiro acontecido nesta quinta-feira, dia 4 de abril de 2002, no Centro Dragão do Mar, em Fortaleza.
    Embora com um público não tão satisfatório - devido a chuva que caiu durante todo o dia na cidade - Fagner e Zeca mostraram com empolgação todas as músicas do roteiro elaborado a seis mãos, embora arquitetado pelo compositor Fausto Nilo.
    O show começou às 21h40min com a exibição em telão de um curto documentário sobre a elaboração da turnê com depoimentos de Fagner, Zeca Baleiro e Fausto Nilo, para depois o cantor e compositor cearense começar a dedilhar as primeiras notas de Três Irmãos, música francesa anônima do século XVI, adaptada por Fausto Nilo e, portanto inédita. Depois vieram Natureza Noturna (de Fagner e Capinan), do disco ''Ave Noturna'', de 1975, Flor da Pele, música responsável pelo lançamento de Zeca Baleiro na mídia nacional, e Revelação (de Clodo e Clésio) um dos grandes sucessos na carreira de Fagner.
    A partir deste momento Zeca Baleiro começou a falar sobre a afinidade e a importância de Raimundo Fagner em sua carreira para depois apresentar a inédita Dezembros, parceria de Fagner, Zeca e Fausto. Depois vieram Banguela e Você Só Pensa em Grana ( ambas de Zeca Baleiro) cantadas inicialmente por Raimundo Fagner com a segunda voz de Zeca Baleiro. Prosseguiram com Orgulho (de Paulinho da Viola e Capinan), música também inédita no repertório dos cantores, Canção Brasileira (de Sueli Costa e Abel Silva), e Blackbird, um dos clássicos de Lennon e McCartney.
    Quando Raimundo Fagner começou os primeiros acordes de Serenou na Madrugada, para depois emendar com Cavalo Ferro (de Fagner e Ricardo Bezerra) o público cantou junto, alto e em bom tom. Lembrei dos primeiros shows que assisti de Fagner ainda nos anos setenta. O vigor que ele tinha em cuspir literalmente as palavras e a sangrar os dedos quando tocava emocionava qualquer um. Foi mais ou menos a mesma emoção que senti, agora muitos anos depois.
    A próxima música apresentada, Palavras e Silêncios, também inédita, é uma parceria somente de Zeca Baleiro e Fausto Nilo, embora Fagner tenha dado uns toques na melodia. Depois vieram Cebola Cortada (de Petrúcio Maia e Clodo) agora cantada inicialmente por Zeca Baleiro com a segunda voz de Fagner, e A Tua Boca (de Fagner e Zeca), do último disco do cearense.
    Um dos momentos de maior descontração no show aconteceu um pouco antes da apresentação da música De Terezina a São Luis (de Helena Gonzaga e João do Vale - gravada por Dominguinhos e Fagner em 1997), quando Zeca Baleiro confidenciou que tinha inveja de Fagner por não ter conhecido pessoalmente o compositor João do Vale, dizendo que num encontro desse tipo tomaria algumas doses de cachaça com o conterrâneo. Fagner completou: ''nós tomaríamos TODAS''.
    Com a apresentação das músicas Babylon (de Zeca Baleiro) e Último Pau-de-Arara (de Venâncio, Corumbá e José Guimarães) cumpriu-se o roteiro musical. Abraçados, Raimundo Fagner e Zeca Baleiro deixaram o palco, retornando após cinco minutos para o tradicional ''bis'' com Canteiros (de Fagner em poema de Cecília Meireles) e Mamãe Oxum (de Zeca Baleiro). Fim de Festa. Embora o público batesse palmas e pedisse mais e mais, não houve retorno. Afinal, o encontro de Raimundo Fagner e Zeca Baleiro se repetirá ainda mais sete vezes. Quem sabe não virará disco? Fica um desejo.

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