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Fagner grava álbum recheado de inéditas

Diário do Grande ABC, 3 de Julho de 2001

        
                                                           por
Gislaine Gutierre
                                                                 

                               

         Depois de oito anos sem lançar um disco de inéditas, o cantor Fagner volta com novas composições em um álbum homônimo (Sony Music, R$ 25 em média). Essencialmente romântico, o álbum traz uma canção jamais editada, em parceria com Cazuza, além de outras três com Zeca Baleiro e duas de novos compositores. Para selecionar as 13 faixas do disco, Fagner buscou fontes diversas. Recorreu a antigas e bem-sucedidas parcerias, resgatou uma boa parte de músicas de seu baú e obteve material fresquinho de compositores com os quais teve contato depois de publicar uma nota de jornal dizendo que procurava novos talentos. Com tanto material, o cantor até poderia ter abreviado a longa espera por uma novidade fonográfica. Não o fez por preguiça, confessa. Mas garante que voltou cheio de vontade: "Desde o ano passado, quis recolher composições com parceiros antigos e novos. Eu estava me cobrando de fazer esse disco, e os fãs também". Com o antigo companheiro Fausto Nilo, compôs O Vinho, canção na qual destila toda a sua veia de romântico sofredor. A dupla também assina o xote Jardim dos Animais e, com Abel Silva, criou a poética Cor Invisível. Capinam aparece na faixa A Tua Boca, também criada por Fagner e Zeca Baleiro.
         Mesmo que não seja intencional, Fagner, com esse trabalho, responde às críticas de que teria "embregalhado" nos últimos anos: "Em um mercado tão vulgarizado, é importante resgatar a qualidade poética das canções. Mas não me preocupo em como as pessoas vão receber meu disco. Talvez depois eu queira questionar para onde tudo isso vai, mas no processo de criação sou meio egoísta".

         Até para escolher o trabalho de novos compositores Fagner foi rigoroso. Entre as mais de 700 canções, selecionou só duas: Muito Amor, do carioca São Beto, e Certeza, do pernambucano Demervil. A primeira não só abre o disco como tem um caimento perfeito na interpretação de Fagner. É potencialmente um hit.
         Zeca Baleiro dá outro colorido ao repertório do cearense, imprimindo sua marca nas faixas A Tua Boca, Tempestade e Outra Era. A canção de Cazuza, Olhar Matreiro, vem de uma fita guardada há anos no arquivo de Fagner. No momento, ele divulga seu 26º disco em turnê pelo Nordeste. "Sou que nem jumento de verdureiro. Quando vê uma esquina, pára", diz. Por isso, shows em São Paulo só no fim do ano.

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Detalhes do Disco           

     Reportagens sobre o Disco
19/6 - O Globo
20/6 - Diário do Nordeste
21/6 - Jornal do Brasil
21/6 - Correio da Bahia
27/6 - Click Music
28/6 - O Dia
29/6 - Folha de São Paulo
02/7 - Paraná On Line
03/7 - O Povo
03/7 - Diário do ABC