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Fagner cheio de novidades
Cantor e compositor volta a gravar
CD com material inédito depois de vender
meio milhão com ‘Ao Vivo’
O Dia - Caderno D, 28 de Junho de 2001
Fazia tempo que Fagner não aparecia com um álbum autoral, músicas inéditas, uma nova safra de canções. Ok, o disco Ao Vivo, lançado ano passado vendeu que nem água (foram mais de 500 mil cópias, a Sony jura de pé junto). Mas o próprio cantor revela que ‘bateu uma viagem errada’ nele no final de 2000. "Entrei numa, comecei a me cobrar um trabalho assim", conta. Pudera, o último disco assim - Demais - data do longínquo 1993. Resultado: Fagner começou a se mexer. "Fui mexer no baú, liguei para parceiros. Amigos de tempos, mas gente nova também". E assim nasceu Fagner, o disco novo, que o compositor que empresta o nome ao CD põe nas lojas. É bom dizer que a busca por novidades era tão grande que ele resolveu botar um anúncio no jornal conclamando compositores a enviar seu material para apreciação. Não precisa ser gênio para adivinhar que choveu fita. "Até parar de chegar fita demorou uns três meses. Veio muita coisa. Vários poemas, só a letra, sem música", recorda. Fagner diz que, por conta disso, teve nas mãos um pequeno panorama da nova produção nacional.
A parte triste da história é a seguinte: de mais de 700 músicas recebidas, apenas duas passaram pelo crivo de Fagner. "Não deu para selecionar mais do que isso". Tudo bem, músicas escolhidas, e, de repente, Fagner se vê diante de outro problema. Depois das canções gravadas, ele não sabia como achar um dos compositores. "Perdi o endereço. Fiquei naquela solidão, não sabia do cara", ri. Nada que um anúncio na internet não resolvesse. Um amigo do carioca São Beto, o autor de Muito Amor, deu o toque no compositor, que foi atrás de Fagner.
Uma coisa que deixou Fagner feliz da vida mesmo foi a estréia da parceria com o maranhense Zeca Baleiro. "Ele é genial. Já havia uma paquera. Uma noite, um amigo em comum nos apresentou. Neste dia, nós fomos dormir de manhã, depois de tocar violão a noite toda", recorda. Dali para o trabalho foi num instante. "Na semana seguinte, mandei um poema, ele fez a música. Já estamos na sexta parceria", comemora. A empolgação tem razão de ser. "Talvez esse trabalho com ele seja tão estimulante porque ele também é músico. É mais motivador. Meus parceiros são mais poetas, letristas. Na hora de fazer a música, é como se eu falasse sozinho. O trabalho com ele deu uma mexida nisso".
Agora é estrada direto. Aos poucos ele inclui as canções novas. A intenção é que em setembro ou outubro ele faça um show num teatro do Rio ou São Paulo. Este sim, será especial. "Vou tocar o disco todo. Quero fazer um DVD fiel ao CD."
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