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Este Site tem como fonte fundamental de pesquisa um livro - "O Caminho das Pedras - A Saga do Pessoal do Ceará", ainda inédito - traçando um perfil da pessoa e do artista cearense Raimundo Fagner Cândido Lopes. No livro, o ponto de partida é exatamente a data de nascimento do artista, l3 de outubro de 1949. Esse fato já marca a primeira controvérsia de sua polêmica carreira: nasceu em Fortaleza e foi registrado em Orós, onde até hoje assume de público ser sua terra natal. No site, a caminhada se inicia em Cronologia, onde estão todos os momentos marcantes na vida e na carreira artística de Raimundo Fagner.
Tanto o livro como este Site são homenagens aos vinte e nove anos de lançamento do primeiro elepê (e se levarmos em conta o primeiro compacto lançado em 71, são trinta e um anos de carreira dedicados à música popular brasileira) de Raimundo Fagner Cândido Lopes.
Assim sendo, o objeto deste trabalho é, principalmente, a carreira artística do cantor e compositor cearense Raimundo Fagner Cândido Lopes, partindo, é claro, de uma recapitulação de todos os movimentos acontecidos para a renovação do cenário musical brasileiro a partir da década de cinqüenta.
Para o livro "O Caminho das Pedras - A Saga do Pessoal do Ceará", a idéia para o projeto de pesquisa começou em 1986, quando centralizamos o trabalho na obra de Raimundo Fagner. A princípio, o projeto inicial era apenas formar um arquivo pessoal com reportagens sobre o cantor cearense, mas depois de vários anos de pesquisa, recortando e guardando tudo que a ele se referisse percebemos que o material recolhido, se organizado devidamente, daria um bom livro. Foi aí que partimos para a árdua (e ao mesmo tempo gratificante) tarefa de dar forma ao trabalho. Um processo lento, cuidadoso e exaustivo... Do passado aos nossos dias. Um trabalho minucioso e que consumiu longas horas para ser concluído.
Para o Site usamos o mesmo processo na feitura do livro: montar o quebra-cabeça. E não foi fácil. Através de depoimentos, intercalados de esclarecimentos e costurados de acordo com o tempo, declarações coletadas de programas de rádio e TV, trechos de entrevistas e de depoimentos extraídos de revistas e jornais, e resultado de uma exaustiva procura nos arquivos dos principais periódicos do País, dentro de uma visão panorâmica da Música Popular Brasileira, traçando um painel vivo do dia-a-dia dos ambientes que influenciaram sua obra, conseguiremos obter um melhor entendimento da obra e da pessoa de Raimundo Fagner.
Sendo assim, tanto no Site como no livro "O Caminho das Pedras - A Saga do Pessoal do Ceará", a imprensa escrita teve um papel fundamental nos dois trabalhos. Esquecendo o imediatismo e o momento efêmero dos artigos publicados em jornais e revistas, sem ela nada teria sido possível. Os artigos assinados transformaram-se em verdadeiros e valiosos depoimentos sobre todos os acontecimentos presenciados, contribuindo para a reconstituição das principais transformações nas últimas décadas no Brasil, abordando principalmente o crescimento da produção discográfica e a consolidação da música brasileira em todo o mundo. Agindo assim, mantivemos a integridade dos fatos, contribuindo com dados novos que esclarecem, completam e, muitas vezes corrigem distorções interpretativas sobre vários momentos da vida cultural, econômica e política do País.
O processo utilizado foi o de colocar todos os depoimentos em ordem histórica, não interferindo com opiniões próprias e que, dentro de certos limites não alterasse suas características naturais. Agindo desta maneira, foi possível analisarmos o comportamento e o aparecimento de de diversas tendências dentro da Música Popular Brasileira, a partir das definições dos próprios personagens.
Voltando ao artista em questão, todas as facetas de Raimundo Fagner estão nos trabalhos. Um levantamento das relações entre a vida e a obra do intérprete de Canteiros, de Revelação e de Deslizes. Uma trajetória de frustrações e vitórias recontada pelo próprio artista. Ele expõe os fatos como realmente aconteceram. Sua infância entre Fortaleza e Orós, a vida em família, detalhes de sua vida pessoal, amigos, os primeiros festivais de música, a ida definitiva para o Rio de Janeiro, e o início dos confrontos diários com empresários e com gravadoras. Tudo isso é Raimundo Fagner.
Vamos fazer uma viagem pelos vários artigos publicados sobre a influência do rock’n’roll nos anos cinqüenta e sessenta, sobre os festivais de música, sobre a Bossa Nova, Tropicalismo, Cinema Novo, Jovem Guarda, ditadura, abertura, etc, etc... contribuindo para uma melhor compreensão da história dos movimentos que abalaram a cultura e a música brasileira nas últimas cinco décadas e, principalmente as conseqüências dos desdobramentos destes movimentos, até a inserção do jovem compositor Raimundo Fagner nos caminhos da canção popular.
Tendo como ponto de apoio o amadurecimento musical de Raimundo Fagner, a partir de suas próprias declarações, foi possível recriar toda a trajetória de sua carreira artística, o início do movimento musical cearense, O Pessoal do Ceará e os casos decisivos que contribuíram para a formação de sua forte personalidade.
Detemos-nos detalhadamente na análise da carreira discográfica de Raimundo Fagner, em suas aspirações e influências, embora, pela necessidade, ainda que de maneira superficial, tenhamos que manter um paralelo constante com episódios importantes acontecidos no País, ao longo de sua trajetória artística. Numa análise passo-a-passo dos discos lançados, todas as composições gravadas por Raimundo Fagner entre 1971 - o primeiro compacto com A Nova Conquista, e 2001- com o Cd ''FAGNER'', com letras cifradas, estão reunidas nos trabalhos, estudadas cronologicamente, comentadas, revistas pelo próprio cantor e expostas aos críticos das mais variadas espécies. Relacionamos todos os parceiros e intérpretes com anotações das respectivas canções e enumeramos as participações em discos alheios. E por fim, a vida artística de Raimundo Fagner é totalmente revista na opinião dos críticos musicais e na visão dos amigos mais íntimos em revelações inéditas e depoimentos exclusivos. Estão também todas as letras de canções inéditas somente cantadas em shows e portanto, até o presente momento, não registradas em disco.
Uma estrada musical de trinta e um anos é muito longa. No início a fome e a rejeição fazendo parte do dia-a-dia dos que teimaram em deixar o Ceará, entre muitos, o próprio Raimundo Fagner, Belchior, Jorge Mello, Ednardo, Rodger Rogério, Teti, Fausto Nilo, Amelinha. Depois a desilusão de alguns e o estrelato de outros. Muitos personagens do cenário artístico e político do País fizeram parte destes vinte e oito anos de carreira artística e principalmente dos cinqüenta anos de idade de Raimundo Fagner, completados no dia 13 de outubro de 1999. Alguns puxaram o tapete, criticaram, outros contribuíram de maneira positiva e são lembrados até hoje. No fim, todos são importantes na consolidação da Música Popular Brasileira no mundo inteiro.


Em 1999, o cantor e compositor Raimundo Fagner completou um ciclo: 50 anos de idade e 28 dedicados à Música Popular Brasileira. O cearense nascido em 13 de outubro de 1949, mas que plantou raízes no pequeno município de Orós, abriu novas arestas e rupturas na MPB. Com ambições e desejos fincados no chão de seu lugar, de sua terra e com gosto pela vitória das realizações através de uma única linguagem: o seu canto. Antes, inusitado, rasgado, áspero e agreste. Depois, suave, metódico, melódico, revisitado e reciclado, exposto em diversas formas de expressão, ritmos, palavras e sons nos mais de vinte discos lançados desde 1971, com o primeiro compacto em parceria com o também cearense Cirino em A Nova Conquista e Copa Luz.
Quando deixou Fortaleza em 1970, e em seguida 1971, quando trocou Brasília pelo Rio de Janeiro - embalado pelo êxito dos vários prêmios no Festival de Música Popular, promovido pela Unb com as músicas Mucuripe, Cavalo Ferro e Manera Fru Fru, Manera - já havia traçado o seu objetivo de vida: ser um cantor. Das multidões. A mesma Mucuripe colocaria o nome de Raimundo Fagner em evidência em todo País com a gravação histórica de Elis Regina em 1972, e novamente com Roberto Carlos em 1975. O resto da história nós já sabemos. Com determinação e talento, Raimundo Fagner tornou-se um dos nomes mais badalados no cenário musical a partir dos anos setenta, lançando discos consagrados pelo público e pela crítica como ''MANERA FRU FRU, MANERA'' (1973), ''AVE NOTURNA'' (1975), ''QUEM VIVER CHORARÁ'' (1978), ''ETERNAS ONDAS'' (1980) E ''ROMANCE NO DESERTO'' (1987) além de uma infinidade de participações especiais nos mais variados discos e estilos. Afinal, em 28 anos de carreira artística, Raimundo Fagner colecionou muitos amigos e parceiros. Dividiu com eles, além das músicas, emoções e sentimentos expressos em cada nota e em cada verso das canções compostas.
Raimundo Fagner, com certeza, está preparando outros vôos, leituras infindas para um trabalho aberto e diferente. Sem linearismo e novamente inusitado. Afinal, a arte e a música de Raimundo Fagner não param. Necessitam sempre de um tempo próprio para a leitura e a lapidação. Conservam a força da nossa certeza em mastigar o sono. Disse ele: ''Quando menos se espera chega o verão e lá se foram os que não acreditaram no fim das tempestades de primavera.''
Raimundo Fagner acreditou e venceu. Todas.
Evangê Costa
Texto de apresentação da exposição ''Raimundo Fagner - 50 Anos'', realizada em janeiro de 2000 na Galeria Paleta, em Fortaleza, e também na Casa de Cultura de Sobral, Ceará.
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