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O CASO HEKEL TAVARES
Em julho de 1999, o cantor Raimundo Fagner foi mais uma vez acusado de plágio novamente por uma canção incluída no disco ''MANERA FRU FRU, MANERA'', Penas do Tiê. Vamos ler um artigo do jornalista Jotabê Medeiros, da ''Agência Estado'' sobre a questão:
''Fagner é acusado de plágio
quase três décadas depois
São Paulo - O disco 'Manera Frufru Manera', do cantor e compositor cearense Raimundo Fagner, corre o risco de entrar para o livro dos recordes como o mais problemático da música popular brasileira. Depois de ter sido comprovado, em 1981, que Fagner gravou duas canções que eram plágio de poemas de Cecília Meireles (Canteiros, também de 'Manera Frufru', e Motivo, de um disco chamado "Fagner", de 1979), um novo imbróglio se criou em torno de um dos seus sucessos mais conhecidos, Penas do Tiê. Fagner alegou, quando do lançamento do disco, que Penas do Tiê era uma adaptação sua do folclore, de uma canção recolhida do domínio público.
Na verdade, Penas do Tiê nada mais é do que uma regravação de Você, uma composição de Hekel Tavares (1886-1969) e Nair Mesquita, editada em 1928 e dedicada à cantora lírica Gabriella Besansoni Lage. O 'deslize' de Fagner, apontado inicialmente pelo jornalista Tárik de Souza, do 'Jornal do Brasil', demorou 26 anos para ser descoberto (de 1973 até hoje). E só o foi porque o filho do compositor Hekel Tavares, Alberto Hekel Tavares, ouviu uma gravação recente da Orquestra Pró-Música do Rio de Janeiro, tendo como solista a cantora Ithamara Koorax, e pôde comparar com as gravações anteriores de Fagner.
'É inacreditável: tratava-se da mesma canção', diz Alberto Hekel Tavares. Segundo ele, Fagner só mudou duas palavras. 'Ele chama a fruta gabiroba de guabiraba, coisa que não existe', diz Tavares. Desde sua gravação inicial, em 1973, Penas do Tiê (ou Você) teve diversas regravações. Joanna a gravou no CD 'Vidamor', pela BMG. A Philips a relançou duas vezes. Nana Caymmi a canta em dueto com Fagner no CD 'Amigos e Canções', também da BMG.
A gravadora Warner Chapell, com quem Fagner assinou contrato para a gravação original de 'Manera Frufru Manera', admite o equívoco do crédito e está em contato com os advogados dos herdeiros de Hekel Tavares. Fagner, também contatado, reconhece que houve um problema, mas acha muito alta a quantia pedida como indenização: R$ 400 mil. 'A canção não só não era do folclore como era bastante conhecida e de um dos grandes compositores brasileiros', diz Alberto Hekel Tavares. 'Nós queremos indenização financeira e também moral, porque a obra do meu pai foi usurpada', afirma. Caso não haja um acordo, Tavares pretende processar Fagner.
Hekel Tavares foi um compositor de grande sucesso na primeira metade do século. Compunha música popular e também música sinfônica. Nos anos 50, seu "Concerto em Formas Brasileiras" foi apresentado nos Estados Unidos tendo como solista a pianista Guiomar Novaes e sob a regência do maestro Karl Kruger.
Mas o caso mais famoso de plágio (?) envolvendo o cantor Raimundo Fagner foi mesmo com a música Canteiros e a família da poetisa Cecília Meireles.
No ano de 1979, Raimundo Fagner foi o alvo de todas as atenções. Os críticos começavam a divulgá-lo como ''a grande promessa da nova música brasileira''. A gravadora Polystar (Polygram) lançara as coletâneas ''FONOGRAMA ESPECIAL VOL. 3 - 1a. Edição'' (No. 2494.609) com as músicas Canteiros e Mucuripe; ''FONOGRAMA ESPECIAL VOL. 3 - 2a. Edição'', com Nasci Para Chorar, Mucuripe e Último Pau-de-Arara; e ''EXPLODE CORAÇÃO'' (No. 9198.119) com Canteiros, já creditando como autores da música Cecília Meireles e Raimundo Fagner (em 1977, quando da realização do show ''ORÓS'', no Teatro Tereza Rachel, ele divulgava os nomes de Cecília Meireles e Belchior como co-autores da canção). Sua voz estava em todas as rádios e televisões do País com a música Revelação. Mas uma bomba estava prestes a explodir: ''Fagner tem discos apreendidos''. O ''Jornal do Brasil'', edição do dia 30 de agosto de 1979, divulgava em primeira mão: ''Quatorze mil discos e 3 mil fitas cassetes, do cantor e compositor Fagner, foram apreendidos, em todas as lojas do Rio, por determinação do Juiz da 16a. Vara Cível, Jaime Boente. Ele concedeu liminar à ação de busca e apreensão impetrada por três filhas da poetisa Cecília Meireles contra as gravadoras Polygram, Philips, Polystar e CBS, 'por violação de direitos autorais com prejuízos morais e materiais'. Maria Fernanda, Maria Elvira e Maria Matilde Meireles alegam que duas poesias de sua mãe - Motivo e Marcha - estão reproduzidas em dois discos do cantor e compositor Fagner, nas músicas Quem Viver Chorará e Canteiros. Fato 'grave', pois além do 'uso indevido', alguns versos estão 'descaracterizados'. Peritos designados pelo Juiz, reconheceram nas músicas as poesias de Cecília Meireles''. A partir daí um longo processo contra Raimundo Fagner começou a correr na Justiça, e somente terminou em 1999, quando a gravadora Sony Music fez um acordo com as herdeiras e filhas da poetisa Cecília Meireles para a regravação da canção, o que aconteceu em janeiro de 2000, em Fortaleza, no primeiro registro ao vivo das músicas do compositor cearense. O disco ''RAIMUNDO FAGNER - AO VIVO'', com Canteiros, foi lançado em fevereiro de 2000.
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1 Em 1999, Raimundo Fagner foi novamente acusado de plágio, desta vez a música em questão era Penas do Tiê, que segundo os herdeiros de Hekel Tavares a música nada mais é do que Você de autoria do compositor em parceria com Nair Mesquita.
2 Em Canteiros Raimundo Fagner usou trechos das músicas Na Hora do Almoço (Belchior) e Águas de Março (Antônio Carlos Jobim).