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 Extraído do Livro ''O Caminho das Pedras - A Saga do Pessoal do Ceará''
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FLOR DA PAISAGEM
Gravadora: CBS (Sony Music, Nº 137.978)
Lançamento: 1977 (LP/K7) - 2002 (CD)

Santo e Demônio  (Raimundo Fagner/Ricardo Torres)
Ponta de Espinho  (Ednardo)
A Cal Mar-se  (Ednardo/Brandão)
Aprender a Voar  (Beto Mello)
Cintura Fina  (Zé Dantas/Luiz Gonzaga)
Depende  (Fagner/Abel Silva)
Senhora Dona (Petrúcio Maia/Brandão)
Flor da Paisagem (Robertinho de Recife/Fausto Nilo)
Pobre Bichinho  (Raimundo Fagner)  
Agonia  (Raimundo Fagner)
Mal Doloroso  (Petrúcio Maia/Pepe)

 

     Em 1977 a música no Brasil estava um grande marasmo. Nada de novo acontecia. O último festival de música popular foi o ''Abertura'', realizado no Teatro Municipal de São Paulo, em janeiro de 1975. De saldo positivo, o primeiro lugar para Carlinhos Vergueiro com Como Um Ladrão, música de sua autoria; a revelação de Djavan em segundo e a consagração de Alceu Valença com a composição Vou Danado Pra Catende.
     Os compositores e cantores em evidência eram os mesmos do início da década. Exceção para o aparecimento e projeção de muitos grupos de rock, alguns surgidos na época do Rock Rural e do Rock Progressivo. Entre os de maior evidência e regularidade nos palcos estavam O Terço (formado por Flávio Venturini, Sérgio Hinds, Luís Moreno e Sérgio Magrão); O Peso (Luís Carlos Porto, Carlos ''Coppos'' Scart, Mário Jensen, Sérgio Lima, Paulo César e Geraldo Darbilly); Som Nosso de Cada Dia (Pedrão, Rangel, Pedrinho, Otávio e Luciano) e o Vímana (Luiz Paulo, Lobão, Lulu Santos, Ritchie e Fernando).
     Mas foi de volta ao Rio de Janeiro, em 1977, e já com um maior crédito dentro de casa, que Raimundo Fagner iniciou sua fase de maior envolvimento com a gravadora CBS, reativando o selo Epic com a proposta de lançar apenas artistas novos, iniciando um projeto que seria sua grande realização musical: a produção dos discos dos seus conterrâneos e amigos. Foi desta nova safra de intérpretes que surgiram grandes nomes para o enriquecimento ainda mais da nossa tão querida música popular brasileira. Alguns se firmariam artisticamente. Outros, talvez por falta de estrutura, segurança ou ideologias contrárias às das gravadoras, ficariam na estrada, contudo sem nada dever em talento aos que continuariam na batalha.
     Mas foi descobrindo e investindo nos novos talentos que Raimundo Fagner produziu o primeiro elepê da cantora Amelinha, o ''FLOR DA PAISAGEM''. Amélia Cláudia Colares, a Amelinha, também é cearense. A primeira vez que sua voz saiu em disco foi nos vocais do ''AVE NOTURNA'', em 1975. Antes disso, a coragem de enfrentar São Paulo sozinha no início dos anos setenta, depois de ter sido reprovada no vestibular de Arquitetura em Fortaleza. Ela seria a primeira intérprete cearense a tentar a sorte no Sul do país, embora ser cantora ainda não estivesse em seus planos.
     Numa de suas idas a Fortaleza, Amelinha começou a travar contato com a turma de músicos que estavam iniciando o movimento musical cearense. Nessa época, em 1971, o vídeo da TV Ceará, era constantemente ocupado por Belchior, Ricardo Bezerra, Ednardo, Rodger Rogério e Raimundo Fagner. E foi o próprio Fagner que insistiu para que ela cantasse em público e deixasse a timidez de lado. ''Naquela época - relembra Amelinha - no Ceará eu senti verdadeiramente os últimos dias de Pompéia. Todo mundo já estava com o pé na estrada para sair de lá à procura de outros caminhos. E eu, que já tinha saído, nada fizera ainda. Mas eu estava um pouco em dúvida se encarava ou não a carreira. Achava que o processo poderia ser muito doloroso. Era uma época em que ainda se dizia que era perigo ser cantora por causa dos 'gaviões'. E eu vivia participando dos shows do Fagner que até já estava cansado de me apresentar, e vivia me dizendo - 'tá na hora de fazer um show teu'. Daí, quando a coisa é mais forte dentro da gente, não dá pra segurar.''
     De volta a São Paulo, Amelinha participou de alguns programas da TV Bandeirantes, cantou jingles e acabou se apresentando com Toquinho e Vinícius de Moraes em Punta Del Este. Na volta fez contatos com a CBS, a gravação e o lançamento do elepê ''FLOR DA PAISAGEM'' (CBS, No. 137.978).
     Foi de fundamental importância a entrada de Raimundo Fagner na elaboração do disco de Amelinha. Além da produção, da direção musical e de estúdio, Fagner deu de presente quatro músicas inéditas e ainda dividiu com Amelinha os vocais das músicas Depende (Fagner-Abel Silva) e Flor da Paisagem (Robertinho de Recife-Fausto Nilo) valorizando ainda mais o disco.
     O disco ''FLOR DA PAISAGEM'' é praticamente composto de canções inéditas. Onde predomina, é claro, músicos e letristas cearenses, quando não, de gente do Nordeste como Robertinho de Recife, Luiz Gonzaga e Zé Dantas. E é de Luiz Gonzaga e Zé Dantas com Cintura Fina, a única releitura do disco. As outras músicas são Ponta de Espinho (Ednardo), A Cal Mar-se (Ednardo-Brandão), Aprender a Voar (Beto Mello), Senhora Dona (Petrúcio Maia-Brandão), Pobre Bichinho (Fagner), Mal Doloroso (Petrúcio Maia-Pepe), Agonia (Fagner) e Santo e Demônio (Fagner-Ricardo Torres).

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_______ FICHA TÉCNICA _______
Direção Artística:
CARLOS ALBERTO SION
Direção Musical e Estúdio:
FAGNER
Capa:
FAUSTO NILO, DADO e MAXIM
Fotos:
MAURÍCIO ALBANO e  JOSÉ ALBANO

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Artigo de Tárik de Souza
        sobre Amelinha