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Copyright © 2000/2002 - Pesquisa, Texto e Acervo de Fotos: Evangê Costa - Todos os Direitos Reservados. Extraído do Livro ''O Caminho das Pedras - A Saga do Pessoal do Ceará'' |
FLOR DA PAISAGEM
Gravadora: CBS (Sony Music, Nº 137.978)
Lançamento: 1977 (LP/K7) - 2002 (CD)
CRÍTICA DE TÁRIK DE SOUZA
Jornal da Tarde, 5/7/1975
''Guardadas as proporções de épocas e talentos dessemelhantes, o pessoal do Ceará promove um segundo ciclo nordestino na música brasileira, como o instaurado pelo grupo baiano em 1967. Os tempos são outros: Caetano, Gil, Gal, Bethânia e Tom Zé, principalmente, contavam com os festivais para promovê-los. E se serviam ainda de uma tendência, herdada da bossa nova, de fundir-se em afinados agrupamentos sonoros e uníssonos teóricos. O pessoal do Ceará, desembarcou em terreno dizimado, no eixo Rio-São Paulo, por volta de 1970, já inicialmente cindido: Belchior enveredava imediatamente pela carreira solo, seguido pouco depois por Fagner. Restariam, sob o título inicial, Ednardo, Rodger e Teti. Uma nova separação deixaria unidos apenas os dois últimos, na verdade um casal, os únicos ainda não projetados ao estrelato das grandes audiências. Com carreiras definidas, por caminhos às vezes conflitados, os cearenses porém não se esgotaram como força e sotaque musical: sai agora o elepê 'FLOR DA PAISAGEM', com a que poderia ser, pela comparação, a Gal Costa dos cearenses, a cantora Amelinha Colares.
Como aconteceu com a musa e estrela-mor do grupo baiano, Amelinha foi previlegiada por um repertório de faixas inéditas, especialmente compostas para seu disco por Fagner, Ednardo e outros ligados ao grupo desde o Ceará, como Fausto Nilo, Ricardo Bezerra, Petrúcio Maia, além do fluminense Abel Silva. Ela contou, ainda com a experiente produção e alguns contra-cantos vocais do mesmo Fagner, seu maior incentivador. No entanto, o que mais impressiona no disco é a segurança da debutante - praticamente uma ilustre desconhecida, mesmo das platéias já respeitáveis de seguidores dos cearenses.
Amelinha, intérprete firme, de canto chorado, prefere as toadas ou baladas, feridas por guitarra e desdobradas em lentas ondulações vocais. Combina com essa tendência, fortalecida pelas letras densas do repertório (Agonia, Flor da Paisagem, Depende), sua voz sem requintes, agreste e desarmada. E, mais, o acompanhamento despojado, reduzido a pequeno conjunto, algumas vezes dotado de cordas, em arranjos econômicos de Leon Peracchi. Enfim, brota mais uma revolução nordestina na música brasileira.''