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TOMÁS MUÑOZ:
Fagner é um grande talento, dono de uma intuição fantástica, extraordinária.
TETI:
Conheci o Fagner na época do Festival de Música Popular - Aqui no Canto, em 1969. Foi durante este evento que ele começou a transar música com o pessoal do movimento musical cearense, Rodger Rogério, Augusto Pontes, Brandão, Ednardo e Petrúcio Maia. Por ter uma vontade muito grande de aprender, Fagner estava sempre ali, furando, abrindo qualquer espaço. Era um garoto precoce, inclusive brincava-se muito com ele, pois estava na fase de mudança de voz e algumas vezes quando cantava, desafinava. Lembro-me bem que o Augusto Pontes dizia sempre: ''Vá dormir rapaz, o que você está fazendo aqui?'' É que freqüentemente íamos ao Bar do Anísio na Beira-Mar, e ele sempre nos acompanhava. Tenho um respeito muito grande pelo Fagner. Sua contribuição na história da música popular brasileira é enorme. Primeiro foi o impacto, aquele choque nas pessoas, aquela irreverência ao cantar, a voz, a maneira de ser e agir. Segundo, sua perseguição ao sucesso, hoje aí nas paradas. E ele já saiu daqui, levou nossa música até para o exterior, se deu muito bem e está sempre em evidência. Fagner é uma artista incrível.
AMELINHA:
Fagner foi um grande encontro na minha vida. Ele é uma pessoa ímpar, especial, de uma força interior enorme, muito amigo e acima de tudo possui muita garra para conseguir o que quer. Ele tem intuição, uma sensibilidade fora do comum. Foi o produtor do meu primeiro disco - ''FLOR DA PAISAGEM'' - e sempre me deu força em todos os instantes da minha carreira artística. Sempre gostei de cantar suas músicas.
CECÍLIA ASSEF:
Existem para mim dois tipos de pessoas: as que têm uma luz e as que não têm. Mas aquelas que têm, sabem. Fagner carrega dentro de si um lampião. Nenhuma palavra esgota uma difinição sobre ele, mas, se a gente tem alguma ''missão'', a desse rapaz é contrariar a lógica.
ANA MARIA BAHIANA:
Chega a ser engraçado o modo como as coisas acontecem: quem era maldito ontem, invendável, inaudível, impossível, torna-se hoje grande nome popular, conhecido, amado. Nada como um dia depois de muitos. Raimundo Fagner que o diga. Sua voz áspera e dura, pessoal e intransferível, não mudou. Seu canto descabelado continua o mesmo, só um tanto mais doce, menos preocupado com eletricidade ou pauleiras. Seu lado Roberto Carlos, da paixão confessada, veio mais à tona, e ei-lo, figura de proa de nossa música.
NONATO LUIZ:
Fagner já trouxe trabalho consciente e sério - embora tenha sido difícil para ele. E a importância dele está na qualidade, na consciência que ele tem e no que quer chegar. Está dentro do campo dele e de maneira muito autêntica. Fagner dá muita abertura para nós compositores - é bom lembrar que não dá pra qualquer um. É preciso ter algo bom, e ele acha que nós temos o nosso lado forte. Mas não é qualquer artista que tem essa nobreza, de reconhecer o valor de outros artistas.
MERCEDES SOSA:
Ele tem esse lado bonito de saber conseguir as coisas das pessoas sem que elas se dêem conta de que foi ele quem conseguiu. Ele consegue tirar aquilo que as pessoas têm de melhor dentro de si. Penso que é muito importante falar disso porque em toda minha vida sempre colaborei com muita gente em discos, canções, shows, etc. Se de alguns me tornei amiga, com outros cantei, nada mais! Uma relação mais profissional que outra coisa. Com Fagner, entretanto, tudo teve que acontecer de forma diferente...
ZÉLIA GATTAI AMADO:
Foi Vinícius quem falou, ao ouvirmos, numa noite distante, Coração Alado: ''Vocês não o conhecem? Pois é Fagner, Raimundo Fagner. E escrevam o que digo: este é grande, será dos maiores!'' Desde então não perdemos Fagner de vista. Vinícius sabia das coisas. Fagner é grande. Somente agora, nesse mês de agosto de 1981, nós o conhecemos pessoalmente, Jorge e eu. E juntos sofremos acompanhando os dias derradeiros do nosso querido e inesquecível Glauber.
ABEL SILVA:
Fagner é parceiro em tudo o que canta, tudo o que ele diz é dele e é tudo verdade. Com A se escreve alma e ave. A alma da ave é o ovo. Este Raimundo Fagner mantém com as referências do trajeto a relação do movimento. Imagine Luiz Gonzaga, imagine Roberto, claro. Imagine todas as regiões de cantadores cegos e os milhares de arabenordestinos, imagine a secreta poesia de um libanês que batiza seu filho mais novo de RAIMUNDO: é este. FAGNER é o filho de reis que não quer ser príncipe, o filho doido, o que o pai só conhece depois, de fama e brilho. Uma noite, Fagner passou inteira lendo Cecília Meireles, de manhã 4 músicas novas estavam prontas, lindas, e assim se faz amor com as palavras. A questão, dizia Yung já velhinho de saber de tudo, a questão é adotar um ponto de vista energético: por qual nova garganta Capinan gritaria agora sua Natureza Noturna e seu agressivo Pavor dos Paraísos? Que grito abriria, agora, o sinal? Por qual olho Roberto choraria outra vez a lágrima de sangue e medo dos reis? Este Raimundo, divide. Zagueiro como você sabe, não perde as divididas, vai com fome e fé. Com F se escreve fera e FAUSTO: conheça os poetas das esquinas do Brasil. Fausto ABC, Fausto Calma Violência, Fausto Retrato Marrom. Conheça Brandão, o poeta que não corre do vício de sua terra, conheça Petrúcio Maia, mago dos sons e dos silêncios. Robertinho Recife mata a pauladas os últimos discutidores da relação Guitarra Versus MPB - Robertinho é um chicote de prata, um fio de esperança. A questão sempre foi ser ou não Músico: Robertinho é. Com A se escreve Anima, o lado intuição de seu rosto, o mais fundo, o que apronta - o outro treme e assiste. Fagner é da mesma natureza de Bethânia, alma dos ventos e do delírio das alturas. Ave. Com A se escreve arma. A arma da ave é o vôo.
NEY MATOGROSSO:
O Fagner é o meu cantor favorito, sabia? Ele e o Milton Nascimento, tudo que eles cantam eu amo.
VALDIR ZWETSCH:
Você me pergunta: ''um cantor com voz de taquara rachada pode ser bom?'' E eu respondo: ''se for o cearense Raimundo Fagner, não será apenas bom - será magistral!'' Fagner, com sua voz única, é hoje um dos intérpretes mais importantes da moderna música brasileira.
