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CANÇÃO (MALOGRADO)
(Fagner em poema de Cecília Meireles)
Show ''Teatro Tereza Raquel'', Rio de Janeiro, 1977
Nunca eu tivera querido
Dizer palavra tão louca:
Bateu-me o vento na boca,
E depois no teu ouvido.
Levou somente a palavra
Deixou ficar o sentido
O sentido está guardado
No rosto com que te miro,
Neste perdido suspiro
Que te segue alucinado,
No meu sorriso suspenso
Como um beijo malogrado.
Nunca ninguém viu ninguém
Que o amor pusesse tão triste
Essa tristeza não viste,
E eu sei que ela se vê bem...
Só se aquele mesmo vento
Fechou teus olhos, também...
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* Apenas como curiosidade. A música que veste a letra de Paraíso Proibido (de Raimundo Fagner e Fausto Nilo) e incluída no disco ''ROMANCE NO DESERTO'', lançado em 1987 , já foi utilizada muitas vezes nos shows de Fagner vestindo uma outra letra. Principalmente na segunda metade dos anos setenta quando o cantor musicava os poemas de Cecília Meireles. E é dela a letra de Canção, poema que primeiramente utilizou a música de Fagner ou Malogrado, título dado por Fagner a criação.
Temos em fita cassete a gravação de Canção num show realizado no Teatro Tereza Rachel, no Rio de Janeiro, em abril de 1977. É impressionante como Fagner manteve o andamento da música e a intonação de voz original refeitos em Paraíso Proibido, e até mesmo os solos do guitarrista Robertinho do Recife são iguais nas duas versões. Portanto se cantarmos a letra de Canção em cima de Paraíso Proibido, veremos como as palavras se encaixam perfeitamente na música de Fagner.