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 Extraído do Livro ''O Caminho das Pedras - A Saga do Pessoal do Ceará''
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GONZAGÃO & FAGNER 2 - ABC DO SERTÃO
Gravadora: RCA Victor (BMG Music, Nº 130.0050)
Lançamento: 1988 (LP/CD)

JUAZEIRO (Gonzaga/Humberto Teixeira)
VEM MORENA (Luiz Gonzaga/Zé Dantas)
ABC DO SERTÃO (Luiz Gonzaga-Zé Dantas)
VOZES DA SECA (Luiz Gonzaga/Zé Dantas)
NOITES BRASILEIRAS (Luiz Gonzaga/Zé Dantas)
ESTRADA DE CANINDÉ (Luiz Conzaga/Humberto Teixeira)
XAMEGO (Luiz Gonzaga/Miguel Lima)
DERRAMARO O GAI (Luiz Gonzaga/João Silva)
POBRE SANFONEIRO (Luiz Gonzaga/João Silva)
AMANHÃ EU VOU (Beduino)

         

         Em 1984 Raimundo Fagner realizou um sonho gravando um disco inteiro com Luiz Gonzaga. Uma ótima vendagem e a excelente repercussão do primeiro elepê, rendeu quatro anos depois um novo trabalho reunindo os dois intérpretes. No disco ''GONZAGÃO & FAGNER VOL.2-ABC DO SERTÃO'' (1988, RCA/BMG, No. 130.0050) novamente a dobradinha recriou clássicos do repertório do ''Rei do Baião'', como Abc do Sertão, Xamego, Vem Morena, Derramaro o Gai, Pobre Sanfoneiro, Noites Brasileiras, Estrada de Canindé, Juazeiro, Vozes da Seca e Amanhã eu Vou.        
         A gravadora RCA/BMG aproveitou as comemorações das Bodas de Ouro de Luiz Gonzaga lançando a caixa comemorativa ''50 ANOS DE CHÃO'' (1988, No. 115.0002), contendo algumas gravações antológicas e algumas participações especiais, como por exemplo a de Raimundo Fagner na música Súplica Cearense, da dupla Gordurinha e Nelinho. O fonograma foi retirado do elepê ''LUIZ GONZAGA & FAGNER'', originalmente lançado em 1984, pela mesma gravadora.

         No dia seis de junho de 1989, um espetáculo realizado no palco do Teatro Guararapes, em Recife, com a participação de discípulos fiéis como Alceu Valença, Marinês, Pinto do Acordeon, Gonzaguinha, Dominguinhos, Joquinha Gonzaga, Waldonys e Nando Cordel, selaria (embora ninguém esperasse) a carreira de um dos mais importantes músicos do País. Foi o último show do ''Rei do Baião''. Com a morte de ''Gonzagão'', o eterno Luiz ''Lua'' Gonzaga, acontecida no dia dois de agosto de 1989, depois de 42 dias de internamento, no Hospital Santa Joana, em Recife, ficamos órfãos do maior sanfoneiro do Nordeste e o principal responsável pelo sucesso do forró genuíno no Sul do País ainda na metade da década de quarenta e início da década de cinqüenta, mudando definitivamente os caminhos da música popular, num tempo em que o rádio brasileiro era dominado pelos boleros, valsas e trilhas de musicais norte-americanos.
         Raimundo Fagner participou de várias etapas importantes na vida de Luiz Gonzaga. Em 1984, juntos gravaram o álbum ''LUIZ GONZAGA & FAGNER'', resultado do sucesso de um pot-pourri registrado no disco ''DANADO DE BOM'', de Luiz Gonzaga, lançado no início do mesmo ano. Quatro anos depois o álbum ''GONZAGÃO & FAGNER VOL.2 - ABC DO SERTÃO'' reuniu novamente os dois intérpretes em clássicos como Abc do Sertão e Juazeiro.
         Mas Luiz Gonzaga faz parte da vida de Fagner há muito tempo. Gravou Último Pau-de-Arara e Riacho do Navio, nos primeiros discos. Em 1976, cantou ao lado dele no projeto Seis e Meia, no Teatro João Caetano, no Rio de janeiro.
         Cantador e sanfoneiro, filho de Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus, nascido no dia 13 de dezembro de 1912, Luiz Gonzaga Nascimento passou a infância na fazenda Caiçara, três léguas do município de Exu, no sertão pernambucano ajudando o pai a consertar sanfonas ou trabalhando na roça. Aos dezessete anos comprou uma harmônica e começou a se aperfeiçoar. Pensou em casar com Nazinha, filha de Raimundo Delgado, homem rico da região. Não consentiram e Luiz acabou levando uma surra de Dona Ana. Humilhado, fugiu para o Crato e de lá para Fortaleza. Em 1930 alistou-se no Exército onde passou dez anos. Deu baixa e foi aportar no Rio de Janeiro onde passou a se apresentar de sanfona nos cabarés da Lapa, músicas de encomenda, Augusto Calheiros e coisas parecidas. O resto é história.
         Luiz Gonzaga tem uma discografia invejável e inexata. Fala-se em quase 200 títulos lançados, entre discos de 78 rotações, elepês e compactos, 1000 músicas, muitas histórias e parceiros desde 1941, quando gravou dois elepês instrumentais em 78 rpm (Véspera de São João, Numa Serenata, Saudades de São João Del Rei, Vira e Mexe) para a gravadora RCA Victor. Depois vieram Dança Mariquinha (primeira gravação de Luiz Gonzaga como cantor) e Mula Preta, o grande sucesso do ano de 1943. Desde então, compositores e alguns perceiros como Humberto Teixeira, Zé Dantas, Hervê Cordovil, David Nasser, Miguel Lima, Lourival Passos, João Silva e Patativa do Assaré colocaram na voz ímpar de Luiz Gonzaga sucessos imortais como Asa-Branca, Riacho do Navio, Dezessete e Setecentos, Vem Morena, Assum Preto, A Triste Partida, Respeita Januário, A Vida do Viajante, nos mais variados ritmos.
         Embora sendo o terceiro artista mundial a receber o ''Cachorinho da RCA'', prêmio entregue anteriormente apenas para Elvis Presley e Nelson Gonçalves, e tenha cantado para presidentes como Eurico Gaspar Dutra e José Sarney e para o Papa João Paulo II, o verdadeiro reconhecimento do valor de sua obra veio ainda em 1984. Luiz Gonzaga foi o grande homenageado na noite da entrega do Prêmio Shell para os melhores da Música Popular Brasileira. Segundo a crítica especializada, um prêmio justo e merecido para quem, em muitos anos de carreira artística somente recebeu dois Discos de Ouro e em 1981, o mesmo ano em que a classe artística se reuniu para homenagear Luiz Gonzaga em um show promovido pelo Cebrade. Em 1985 Luiz Gonzaga foi premiado com o ''Nipper de Ouro'' pelo conjunto de sua obra.
         Um grande espetáculo na casa de shows Spazio, em Campina Grande, em outubro de 1988, marcou os cinqüenta anos de carreira artística do cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga. Muitos artistas, na maioria nordestinos, participaram do evento, entre os quais Fagner, Elba Ramalho, Nando Cordel, Alcymar Monteiro, Capilé, Jorge de Altinho, Dominguinhos, Oswaldinho do Acordeon, Pedro Sertanejo, Zé Américo, Manassés, Borel, Valdomiro Moraes, Waldonys e o filho Gonzaguinha.
         Andando de muletas e mesmo debilitado em virtude de uma operação para a retirada de água na pleura, o ''Rei do Baião'' assistiu ao espetáculo e cantou, sentado numa poltrona alguns dos seus maiores sucessos.
         Dois meses antes da morte de Luiz Gonzaga, a gravadora do compositor lançou o elepê ''FORRÓ DO GONZAGÃO'' (1989, RCA, No. 130.0074) incluindo o pot-pourri com as músicas Respeita Januário/Riacho do Navio/Forró no Escuro, originalmente lançado em 1984, no disco ''DANADO DE BOM'', com a participação de Raimundo Fagner.

         ''O primeiro show que vi em minha vida foi o Gonzagão, na Praça do Ferreira, em Fortaleza. O 'Lua' é do Exu, mas ama o Ceará, e a estrada que liga aquela cidade e o Estado foi feita pelo Ceará. Ele tem coração cearense. Aquela multidão que eu via pela primeira vez era a realidade da maior voz do Nordeste, tentando fazer chegar ao Sul o nosso canto, a nossa realidade. Ele sempre batalhou muito para que a nossa voz fosse ouvida. É o Mestre Maior. Pelo trahalho que fizemos juntos, apenas por aqueles momentos maravilhosos, já me sinto gratificado pela profissão que escolhi. Fizemos uma amizade muito grande e bonita. Eu, ele e Gonzaguinha, tanto que virei padrinho de Mariana e fui adotado por dona Helena e Lelete. Essa família é a minha família.''
         
''Quando gravamos o nosso primeiro elepê juntos, a resposta foi tão expressiva, nossa penetração no Nordeste foi tão bem recebida que gravamos outro a seguir. Neste, procurei destacar seu lado de autor, desde Chamego até Pobre Sanfoneiro. De Humberto Teixeira e Zé Dantas até João Silva e parceiros tais como Miguel Lima e Beduíno. A emoção desses trabalhos é enorme e eu só posso agradecer ao velho 'Lua' o carinho e a disponibilidade de enfrentar os estúdios enquanto trabalhamos juntos.''
         ''Luiz Gonzaga é a própria raiz do Nordeste. A voz maior dos nordestinos, a voz do Brasil é ele. Isso nos deixa envolvidos numa saudade enorme; eu, principalmente, que tive o prazer de gravar dois discos ao seu lado, de estar com ele em shows e conviver com essa força humana incrível que é Gonzagão. Ele foi uma pessoa descontraída, que tinha consciência de sua importância. Das músicas dele eu tinha preferência por Triste Partida, que ele mais gostava, Estrada de Canindé e Riacho do Navio. A emoção maior foi gravar Súplica Cearense ao seu lado. No estúdio foi algo delirante. Gonzaga é tudo.''

PERFIL DE LUIZ GONZAGA

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_______ FICHA TÉCNICA _______

Direção Artística:

MIGUEL PLOPSCHI
Produção:
RAIMUNDO FAGNER
Co-produção:
GONZAGUINHA
Foto:
FREDERICO MENDES
Capa:
FREDERICO , FAGNER, FAUSTO NILO