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PASQUIM
Gravadora: Pasquim (Philips)
Lançamento: 1972 (compacto simples)
Mucuripe (Raimundo Fagner/Belchior)
A Volta da Asa-branca (Luiz Gonzaga/Zé Dantas)
No dia 10 de março de 1972, com uma tiragem inicial de trinta mil exemplares foi lançado o primeiro ''Disco de Bolso'' trazendo Tom Jobim com Águas de Março e no outro lado do compacto, um compositor de Minas Gerais praticamente desconhecido: João Bosco com a música Agnus Sei. O ''Disco de Bolso'' foi uma invenção do produtor Eduardo Athayde e do cantor e compositor Sérgio em parceria com os editores do ''Pasquim''. A idéia era mostrar a cada lançamento um nome consagrado na MPB e um estreante, já que na época era bastante difícil furar as barreiras das gravadoras convencionais. Para o segundo ''Disco de Bolso'' convidaram Caetano Veloso, recém chegado do exílio em Londres. Por escolha própria Caetano Veloso não quis gravar uma composição sua, preferindo recriar, com um pouco de ironia, A Volta da Asa-Branca, de Zé Dantas e Luiz Gonzaga. O estreante escolhido foi ''um paraíba que dava canja na redação do Pasquim'' e totalmente desconhecido do grande público, embora já tivesse gravado um compacto simples para a gravadora RGE e possuísse um bom relacionamento com os grandes astros da MPB: Raimundo Fagner.
O lançamento oficial do ''Disco de Bolso'' de Caetano Veloso e Raimundo Fagner foi no auditório da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense, em Niterói, Rio de Janeiro, no dia 10 de junho de 1972 em um show com as presenças de Paulinho da Viola, Sérgio Ricardo, Egberto Gismonti, Nelson Cavaquinho e Rosinha de Valença. Raimundo Fagner vinha de um compacto que não tinha vendido nada e o ''Disco de Bolso'' anterior com Tom Jobim e João Bosco havia superado os vinte mil exemplares, e ele desta vez não poderia decepcionar. Embora já fosse saudado como uma grande revelação na música popular e ter sido gravado por Elis Regina, era uma responsabilidade muito grande dividir um disco com Caetano Veloso, um dos criadores do Tropicalismo, movimento que fez parte de sua juventude em Fortaleza, ainda embalado pelos ecos dos festivais.
No compacto (Pasquim, 1972, No. 2801.005) Raimundo Fagner ao violão interpretava Mucuripe - dele em parceria com o também cearense Belchior - acompanhado apenas por Ivan Lins no órgão. Mas se o primeiro compacto não obteve nenhuma resposta comercial, Mucuripe era a certeza que o tão almejado sucesso não tardaria a chegar. Mas apesar do enorme sucesso obtido e da total aceitação dos novos compositores o ''Pasquim'' não teve condições de produzir o terceiro número da série ''Disco de Bolso''. Infelizmente, uma ótima idéia que acabou ficando no bolso..
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1 Outra versão de Mucuripe foi incluída no disco ''MANERA FRU FRU, MANERA'', lançado em 1973. Em 1982, o cantor e compositor Belchior lançou o disco ''MPB INDEPENDENTE'' (Pasquim, No. 10.001) trazendo todas as músicas que fizeram parte do acervo dos Discos de Bolso do Pasquim lançados nos anos setenta. Estão no álbum Antônio Adolfo (Feito em Casa), Caetano Veloso (A Volta da Asa-Branca), Tom Jobim (Águas de Março), João Bosco (Agnus Sei), Arnaldo Baptista (Hoje de Manhã Acordei com o Sol), Eliete Negreiros (Sonora Garoa), Tetê Espíndola (Longos Prazeres de Amor), Paulinho Boca de Cantor (Rock Mary)Aguilar e Banda Performática (Monsier Duchamp), Itamar Assumpção e Banda Isca de Polícia (Nego Dito), Sérgio Melo e o Parasol (Garotos da Rua), e também a primeira gravação de Raimundo Fagner para a música Mucuripe realizada no início de 72.
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